Month: May 2015

O NOVO “MAD MAX” NOS ENSINA ALGO SOBRE O CAPITALISMO

A série “Mad Max” é, quase toda, atravessada por uma ideia básica: é necessário migrar em busca do paraíso na Terra. Onde seria possível ter uma vida digna e feliz bem distante do caos. Usando uma ideia bíblica: um lugar onde jorraria leite e mel em abundância.

O que eu mais gostei no novo filme da série é que, em algum momento, o “herói”, perturbado pelas lembranças de fracassadas tentativas anteriores de encontrar o éden terreno, diz que não há pote de ouro no final do arco íris e que é preciso ficar e lutar. Ele sabe que não há nada além do horizonte, que não há terra prometida alguma porque já está perambulando pelo mundo faz muito tempo.

O anarquista Erich Unger propunha que os povos migrassem: abandonando os países capitalistas para viver em locais que o capitalismo ainda não tivesse alcançado. Ideia mais do que equivocada, é claro. Não há como se esconder ou fugir do capitalismo. Pois é parte da sua essência se expandir para todos os cantos do planeta e no futuro, talvez, pra fora dele.

É possível entender (razoavelmente) e até gostar do novo filme da série sem ter visto os anteriores. Mas conhecer a trilogia dos anos 80 ajudaria a compreender a motivação, aparentemente, suicida do protagonista Max de não mais fugir.

Há um conto de Adolfo Bioy Casares, chamado “História Prodigiosa”, no qual um mortal duela contra o próprio satã numa luta de espadas. Mesmo sabendo da quase impossibilidade de vitória, ele luta brava e incansavelmente contra o demônio. O narrador, de outra época, na qual se usava pena e espada, lembra:

Cada um recolha a moral da história que quiser. Minha pena recordará tão só a nítida retidão de alma com que meu amigo empreendeu a guerra contra o céu e o inferno, e sua impávida coragem, que não se amparava na esperança. De outros valentes não poderíamos afirmar tanto.

Voltemos, por um breve momento, ao bom e divertido “Mad Max”. Como escreve Casares, que agora eu coloco fora de lugar: Cada um recolha a moral da história que quiser.