A MORTE E A MORTE DA PUSSY RIOT NADYA TOLOKONNIKOVA

Lembrando frase de Mark Twain, as notícias sobre a morte da russa Nadya Tolokonnikova foram exageradas. Afinal, ela está vivinha da silva. Contudo, reportagem publicada em fevereiro desse ano pelo Outras Palavras, mostra que a integrante da banda punk-feminista Pussy Riot bem sabe dos riscos da sua atividade (aqui).

Esses boatos, quase sempre, não são inocentes. Embora se espalhem graças aos inocentes úteis de sempre. Porém, seriam esses “compartilhadores” ingênuos radicais ou cúmplices de um crime?

Nesse caso específico, a central de boatos, aparentemente, é um site intitulado “Internet Chronicle” (ABARROTADO DE NOTÍCIAS FALSAS). A imprensa brasileira não perdeu a chance e deu mais uma das suas tantas “barrigadas” (jargão usado pelos jornalistas para tratar dos seus próprios erros).

O BOL, do Grupo Folha, republicou a “notícia” na tarde de 4 de março. Ao tentar acessar o link, na manhã do dia seguinte, a “notícia” já havia sido retirada do ar. Mas aí vai uma imagem da barrigada:

Pussy Riot (BOL)

O “Internet Chronicle” (ou, para o BOL, apenas Chronicle), entretanto, ainda mantém a falsa notícia a disposição de quem quiser compartilhá-la (veja aqui):

Pussy Riot (Chronicle)

Esses boatos, como já escrevi, raramente são inocentes. Nesse caso, talvez, a ideia seja “testar” a reação de certa opinião pública ao possível assassinato de Nadya ou mesmo insuflar a oposição ao presidente-czar russo Vladimir Putin (veja bem, faço conjecturas com base nessa notícia falsa).

O mesmo site, anote o nome pra não ser enganado, publicou em fevereiro desse ano que o promotor Gerardo Pollicita, que assumiu um caso de grande repercussão na Argentina após a morte (suspeitíssima) do seu antecessor, teria sido assassinado. FALSO. Novamente: “testar” ou insuflar a opinião pública?

Nas vésperas do segundo turno da eleição brasileira do ano passado, começou a circular o boato de que o doleiro Alberto Youssef teria sido envenado na prisão e estaria entre a vida e a morte. Tudo mentira.

Nesse caso, a intenção dos boateiros era mais clara, independente de qual tenho sido o epicentro do boato: sugerir que petistas, talvez, quem sabe, até mesmo seguindo ordens de Dilma, tivessem envenenado alguém que poderia, quem sabe de novo, trazer dificuldades ao partido da presidenta. Pouca gente, antes de espalhar o boato, se atentou para a burrice que seria uma tentativa de assassinato a pouca horas do segundo turno da eleição presidencial.

Ou mesmo para a dificuldade de se colocar uma conspiração do tipo em prática (Youssef, afinal, é dos presos mais visados e protegidos do país). Ou ainda para o fato de que um caso de envenenamento não seria rapidamente identificado (necessitando de exames posteriores para a sua confirmação; traços do veneno no sangue da vítima etc).

Quem se atentou a esses e outros aspectos da “notícia” e mesmo assim a enviou para os amiguinhos, sai da categoria dos tolos e entra em outra.

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