REDUÇÃO DA EMISSÃO DO GÁS CARBÔNICO: ALGO SOBRE O ACORDO CHINA-EUA QUE VOCÊ PROVAVELMENTE NÃO LEU

É quase consenso no meio científico: a emissão de gás carbônico na atmosfera, pela queima de combustíveis fósseis (a gasolina que você usa no seu carro, por exemplo) vem provocando um aumento da temperatura do planeta. E isso será danoso para o futuro da humanidade.

Recentemente, China e Estados Unidos, os dois países que mais jogam esse gás no ar que a gente respira, definiram metas para a redução dessa emissão. A notícia é ótima, é claro. Deve ser comemorada. Todavia, pra variar, não vi a nossa imprensa (sobretudo a que se autodenomina “grande”) discutir o tema com a complexidade que lhe é devida.

Para os Estados Unidos é muito conveniente se comprometer com uma redução considerável da emissão do gás carbônico. Esse é um aspecto fundamental para entender o compromisso assumido por Barack Obama. Afinal, esse país está mudando, rapidamente, a sua principal matriz energética e, infelizmente, não é por algo muito mais “limpo”.

Os EUA, hoje, é o principal produtor mundial do gás de xisto. Não por acaso: trata-se de uma questão estratégica (urgente), para os estadunidenses, diminuir a sua dependência em relação ao petróleo. A questão é que o processo para a obtenção desse gás é, aparentemente, altamente nocivo a um dos recursos imprescindíveis a nossa existência: a água.

Para “capturar” esse gás, tem sido utilizada uma tecnologia conhecida como “fraturamento hidráulico”. A técnica consiste em quebrar (ou fracionar) rochas em grandes profundidades e assim liberar o gás de xisto preso nelas (“capturando-o” em dutos que o levem até a superfície).

O problema é que essa técnica exige o uso de produtos químicos que, eventualmente, escorrerão por entre as fissuras provocadas pelo processo e irão contaminar as reservas de água no subsolo. Vazamentos dos próprios gasodutos também irão contribuir para o aumento dessa contaminação, é claro.

No ano passado, o programa “Cidades e Soluções” levou ao ar uma matéria sobre o tema (com, mais ou menos, 23 minutos de duração). Como a reportagem lembra logo de cara: “O aumento da produção interna de gás natural é um dos motivos por trás da redução expressiva da emissão dos gases do efeito estufa pela maior economia do planeta”.

Mas como a reportagem lembrará em seguida: há outros impactos ambientais a serem considerados na exploração desse gás. A imagem de fontes de água (contaminadas) pegando fogo é impressionante. Pra ver a reportagem, clique aqui.

Ou seja: para Obama, não é tão difícil assumir o compromisso de reduzir a emissão de gás carbônico pelo seu país porque essa será, ao que tudo indica, a tendência dos EUA no século XXI. Tudo por causa da mudança da sua principal matriz energética. Todavia, a nova matriz, infelizmente, pode ser tão nefasta quanto a anterior.

Isso tem tudo a ver com a gente. A Agência Nacional de Petróleo já autorizou a exploração desse tipo de gás por aqui. E a técnica a ser usada em sua exploração é idêntica. Esse é um tema importante. Mas que se desmancha no ar como os gases citados.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s