GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN BATE NO SEU BOLSO

Os tucanos, com alguma frequência, se apresentam ao eleitor como os paladinos da boa gestão pública. Como gente que administra o dinheiro do contribuinte com muita seriedade, responsabilidade e respeito. A realidade, no entanto, é um pouquinho diferente.

Imagine o seguinte, caro leitor: você tem uma dívida de 46 reais na feira. Você não se nega a pagar (muito pelo contrário) e faz um acordo pra quitar o que deve. Paga, no total, por causa dos juros cobrados pelo feirante, 99 reais (muito acima da dívida inicial de 46 reais).

E se isso não bastasse, agora, além dos 99 reais já pagos, você ainda deve 191 reais para o agiota disfarçado de feirante. Tenho certeza de que, diante do absurdo, você diria para o feirante, com mais ou menos delicadeza, o seguinte: que porra é essa, arrombado?

Agora, coloque os mesmos valores acompanhados da palavra “bilhões”. Esse foi o acordo celebrado pelos tucanos, em 1997, na reestruturação da dívida do Governo do Estado de São Paulo. A dívida inicial era de R$ 46 bilhões. Desde então, o governo estadual, ou seja, você (que é paulista), já pagou R$ 99 bilhões. Mas, ainda assim, hoje devemos 191 bilhões.

Não por acaso, em junho desse ano, os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) recomendaram ao governador Geraldo Alckmin que procure fazer um novo acordo para o pagamento dessa dívida. Recomendação com a qual, aliás, eu concordo. O governadorzinho talvez tenha uma opinião diferente.

Na ocasião, o conselheiro mais antigo do TCE fez duras críticas ao acordo assinado há 16 anos (durante a gestão Mário Covas). Para Antonio Roque Citadini, a maneira como foi feita a reestruturação da dívida foi um “ato criminoso”. O “ato criminoso”, usando as palavras do conselheiro, foi concretizado pelo mesmo PSDB que hoje (mais uma vez) pede o seu voto.

“Somos vítimas, pagamos R$ 1 bilhão todo mês por uma dívida que nunca vamos conseguir pagar. Na ocasião, o TCE alertou que esse acordo era prejudicial. Tenho fé, mas não vejo luz no horizonte”, disse Antonio Roque Citadini. Segundo reportagem publicada, em 11 de junho, no portal de notícias do Estadao.

No distante ano de 2002, quando Geraldo Alckmin tentaria (e conseguiria) a sua primeira reeleição ao governo do estado de São Paulo, ele disse o seguinte sobre a gestão Covas (falecido no ano anterior): “Fui co-piloto durante seis anos de um grande comandante, e tive aulas práticas de respeito ao dinheiro público.”

Fernando Henrique Cardoso, um dos principais líderes do PSDB, quebrou o país em 1998. No final daquele ano, o Fundo Monetário Internacional aprovou um empréstimo emergencial de 41 bilhões de dólares para o Brasil. Se não acredita, uma breve busca na internet irá comprovar o que acabo de escrever.

A República estava falida. Graças ao modo tucano de cuidar do nosso dinheiro. É importante fazer essa lembrança constrangedora do período presidencial do PSDB. Afinal, a imprensa, ao menos uma parte dela, considera que aquilo sim é que foi um governo “responsável”.

Hoje, essa mesma parcela da mídia tentará te convencer que o atual governo tucano em São Paulo (e os anteriores) respeita o dinheiro público mais do que qualquer outro partido que você consiga lembrar ou imaginar. Não há alternativa. Dirão nas entrelinhas. Será uma boa aula prática de manipulação midiática.

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